3/08/2017

PLANO DE BACIAS E PARTICIPAÇÃO SOCIAL

Equipe multidisciplinar tem a missão de executar o Plano de Bacias do Tijucas-Biguaçu.

A apresentação do Plano de Bacias para a Bacia Hidrográfica dos Rios Tijucas e Biguaçu teve lugar no dia 16/2, em Tijucas, conforme noticiamos em nossos veículos de informação. Instrumento importante de gestão e gerenciamento, inclusive, para repensar o modelo de desenvolvimento regional, um Plano de Bacias parte do pressuposto que qualquer proposta conceitual ou levantamento (mapeamento) de informações e diagnóstico passa, decisivamente, pela escuta comunitária. Esta atitude foi debatida na segunda reunião entre a equipe da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), entidade responsável pelo desenvolvimento do Plano de Bacias, e a equipe técnica e diretoria do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica dos Rios Tijucas e Biguaçu, e bacias contíguas. O encontro que selou esse acordo se deu na tarde de 3/3, na nova sede do Comitê Tijucas-Biguaçu, na Avenida Hercílio Luz, bem próximo ao Samae, e apresentou o nome do engenheiro florestal Edison Roberto Mendes Baierle, vice-presidente do Comitê Tijucas-Biguaçu, como coordenador dos trabalhos do plano de bacias.

A equipe da UFSC apresentou as demais etapas do plano de bacias aos
membros do Comitê Tijucas-Biguaçu, e da Câmara Técnica do Comitê. O plano foi aprovado com ressalvas que devem ser apresentadas e debatidas com a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável (SDS) para aprimoramentos. Entre os principais apontamentos da câmara técnica está a obtenção de dados e informações para caracterização da Bacia do Tijucas-Biguaçu. Essa imagem integrada da Bacia deve ser realizada com critérios técnicos atualizados, sem esquecer que o mapeamento é participativo, com apoio expresso da comunidade: sindicatos, associações, órgãos públicos e privados que atuam direta ou indiretamente no desenvolvimento da bacia hidrográfica.

Participaram do evento: Adalto Gomes (Comitê); Alessandra dos Anjos (Comitê); Aline da Silva Dias (Famab); Aline Luiza Tomasi (Comitê); Ana Maria Mello Peixoto (Celesc); Camila Aguiar Vieira (Sulcatarinense);  Carolini da Cruz (Samae Tijucas); Diego Cathcart (UFCS); Edison Baierle (Comitê);  Gastão Cassel (UFSC); Geovani Pedro de Souza (Cidasc); Ismael Simas (Proactiva);  Izabella Amorim (Câmara Tijucas); José Leal Silva Junior (Comitê); Karine Xavier (UFSC);  Letícia Frozza Teive (Famab); Letícia Tommasia (Samae Tijucas); Luana Periotto Costa (UFSC);  Marcio Cardoso (UFSC); Paulo Sergio dos Santos (UFSC); Tiago Martins (Comitê);  William Wollinger Brenuvida (Comitê).

Por William Wollinger Brenuvida, jornalista.

(*) Informações sobre a primeira reunião neste link: http://comitetijucas.blogspot.com.br/2017/02/plano-de-bacias-e-prioridade-para.html

3/02/2017

COM A PALAVRA, O PESCADOR

Elson Targino Soares foi pescador por mais de 40 anos. "É preciso combater a pesca predatória senão o peixe acaba.".

Os técnicos do Comitê Tijucas-Biguaçu levam o projeto Informar para pescadores em quatro municípios. Até o mês de junho 100 pescadores devem ser entrevistados. Projeto pretende sensibilizar para a pesca responsável, principalmente de tubarões e raias.


(*) William Wollinger Brenuvida

João Abelardo Fagundes tem mãos sujas do óleo diesel da embarcação, mãos
João Abelardo Fagundes
duras e calejadas, os pés metidos na babugem e nas areias finas e alvas da Praia da Armação da Piedade. Ele ajuda outro camarada a remendar uma rede de malha. “É pro camarão”, ele diz. Olhar perdido, frases curtas, em uma face queimada do sol. O pai tem 98 anos, e ainda caçou baleias na Armação, ele afirma. Todos os irmãos são pescadores. São muitos. Mas, a pesca está acabando vai dizer o irmão dele, Luiz Abelardo. Eles são netos do Boto, e antes que alguém ache que boto tenha alguma relação com as lendas nortistas, do Rio Amazonas, boto era o apelido de Luiz Alexandrino da Silva, marinheiro nascido no Estado do Pernambuco, e que, serviu no farolete do Anhatomirim, e no Farol da Ilha do Arvoredo. O boto era uma lenda porque nadava de pé, com uma trouxa na cabeça cruzando o canal que separa e une a Enseada da Armação e as praias da capital Florianópolis. Os Fagundes possuem uma relação ancestral com mar. A esposa do boto, a avó Etelvina Maria Bittencourt da Silva descendia de açorianos que para cá vieram para a caça das baleias. O mar é uma sina que a gente não teve como deixar, disse João Abelardo Fagundes.

As entrevistas com pescadores, em quatro municípios onde o projeto Informar
está inserido, começaram. Os pesquisadores do Comitê da Bacia Hidrográfica dos Rios Tijucas e Biguaçu, e bacias contíguas, visitaram pescadores em Tijucas, Bombinhas e Governador Celso Ramos, e já agendaram visitas em Porto Belo. Até o presente momento foram realizadas 10 entrevistas, seguindo os procedimentos das técnicas de jornalismo e em atenção às normas do projeto Informar. Um questionário com mais de 40 perguntas foi desenvolvido, e entremeadas as perguntas, as histórias vivenciadas no mar vão surgindo. Há sempre um cuidado especial na abordagem porque os pescadores são pessoas simples e bastante desconfiados, nos afirma o engenheiro de aquicultura e responsável pelo projeto Tiago Manenti Martins. Essa desconfiança se revela no fato dos próprios relatos dos entrevistados que dizem que o governo, os políticos e os pesquisadores apenas querem as informações deles, mas nada ajudam o pescador.

Cações e arraias, onde estas espécies estão afinal?
Laurentino Nascimento
O mais importante na abordagem dos pescadores é confronto, em seus discursos, com o momento presente o passado não muito distante. Com mais de 70 anos de idade, e esbanjando jovialidade, o pescador aposentado Elson Targino Soares ainda vai ao mar quando tem oportunidade. Seu Elson é citado em outras entrevistas como uma espécie de professor dos pescadores mais novos. Com mais de 40 anos de profissão, e poucos anos de escolaridade, seu Elson diz que deve tudo o que tem ao mar. Casado, pai e avô, ele viu a geração dele ter fartura no mar com muita dificuldade para enfrentar o mar, principalmente no inverno, como também alega que as facilidades tecnológicas de hoje afastaram o peixe e o camarão. Depoimento parecido tem Laurentino Nascimento, aprendiz de seu Elson, e hoje com mais de 40 anos de idade. De acordo com Laurentino, as embarcações maiores e não registradas na Capitania, aquelas que trabalham clandestinamente é que tiram o direito natural do pescador artesanal. “Como você vai chamar de artesanal uma pesca praticada com um bote de mais de 10 metros, e com motores com mais de 300 HP?”, Laurentino se queixa. Para ele, e para muitos pescadores, o fato dos cações e arraias sumirem das enseadas e até mesmo do alto-mar se revela na falta, na escassez de alimentos desses peixes.

Os entrevistados citam os nomes do cações e arraias pescados antigamente na
Luiz Abelardo Fagundes
baía e pequenas enseadas, mencionam que o Rio Ratones, em Florianópolis, hoje poluído e muito descaracterizado, sempre serviu de alimento para essas espécies de cações e arraias. Muitos mencionam, também, a importância do Rio Tijucas como uma espécie de criador ou criatório de camarões, siris, caranguejos, além de pequenas espécies de peixes. Essa opinião, porém, não é unânime. Há pescadores que não enxergam essa relação com o Rio Tijucas – geralmente aqueles mais afastados do Rio, ou que não recebem ou receberam instruções sobre a manutenção de espécies pelos rios da região.

Hoje empresário do ramo de alimentação, o pescador Maureci Klausen, o
Maureci Klausen, o Ci
popular Ci, da Fazenda Armação, ainda vai ao mar. Ele menciona que hoje é mais cômodo para o pescador tirar seu sustento em razão da tecnologia, mas que é preciso entender melhor o funcionamento do mar para que o alimento não falte na mesa da população. “Dependemos daquilo que gostamos, que é ir pro mar, e lá trazer peixe, camarão, lula. Mas, é preciso mais atenção com o pescador, com o mar.”, menciona Ci que diz que no passado recente já pescou tubarões (cações e raias) de forma artesanal, e hoje essas espécies quase não existem.

Luiz Abelardo Fagundes e o filho que segue na pesca
Tudo é devidamente documentado: filmado, gravado com aparelho de voz, fotografado, e realizado o registro em formulário com a assinatura do pescador. Cada um dos pescadores recebe uma camiseta do projeto, e se compromete a fornecer mais informações se, e quando elas vierem. Os pesquisadores buscam não concentrar as entrevistas em apenas uma localidade, exatamente para que os relatos encontrem diferentes matizes nas falas dos entrevistados. A abordagem é realizada com critérios e paciência, atendendo os requisitos do projeto e o prazo estabelecido. Em junho deste ano todas entrevistas estão devidamente compiladas, e documentadas em livro e vídeo-documentário. Até o mês de junho 100 pescadores devem ser entrevistados. O projeto que pretende sensibilizar e conscientizar para a pesca responsável, principalmente de tubarões e raias, é financiado pelo Instituto Linha D’água, de São Paulo.

(*) William Wollinger Brenuvida é jornalista. Técnico da Associação Caminho das  Águas do Tijucas.

2/17/2017

CONSELHO DA APA DO ANHATOMIRIM DEFINE METAS

Membros do Conselho da APA do Anhatomirim (Conapa) e observadores se reuniram,  na tarde desta quinta-feira, 16.02, no mini auditório da escola do meio ambiente, no bairro da Costeira da Armação, em Governador Celso Ramos para definir as prioridades para o planejamento bianual do órgão colegiado.

O evento presidido e organizado pelos técnicos do Instituto Chico Mendes para Biodiversidade (ICMbio), e que foi mediado por Paulo Flores e Claudia Rios, teve entre os itens da pauta, alguns encaminhamentos como: o caso da iluminação e ranchos de pesca, além do projeto do trapiche da Fazenda da Armação. O conselho também rediscutiu e aperfeiçoou regras do regimento interno, formando grupos de trabalhos para o andamento das prioridades debatidas: saneamento, trapiches, legalização das áreas de maricultura, além da educação ambiental.

Ao final da reunião, o conselheiro e técnico do Comitê Tijucas-Biguaçu, William Wollinger Brenuvida, teve cinco minutos para apresentar o Projeto Informar aos demais conselheiros. Houve perguntas e esclarecimentos de dúvidas pertinentes. Os presentes se comprometeram a apoiar o projeto.

Entre as entidades presentes: o Comitê Tijucas-Biguaçu; o Instituto Çarakura; a
Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fatma); a Prefeitura de Gov. Celso Ramos; o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama); Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan); Projeto Tamar; a Acatmar Associação Náutica; Associações de Moradores; Pescadores e agricultores.

Por William Wollinger Brenuvida, jornalista.

COMITÊ TIJUCAS-BIGUAÇU DISTRIBUI MUDAS NATIVAS

Na manhã desta quinta-feira, 17.02, os técnicos do Comitê de Gerenciamento das Bacias Hidrográficas dos Rios Tijucas e Biguaçu, e contíguas, Tiago Manenti Martins (engenheiro) e William Wollinger Brenuvida (jornalista) divulgaram as atividades do comitê na Praia de Palmas, em Governador Celso Ramos. O convite partiu da bióloga Cibele Silveira, Chefe de Licenciamento Ambiental, da prefeitura gancheira.

Foram distribuídas cartilhas informativas sobre o Pacto pela restauração da Mata
Ciliar, e distribuição de mudas nativas da região. A iniciativa colabora com o Programa Verão Mais da municipalidade que tem por objetivo propiciar um espaço de lazer e atividades socioambientais e socioeducativas para turistas locais e estrangeiros, e moradores residentes.

Este é o segundo ano consecutivo que o comitê participa desta atividade. O Pacto pela restauração da Mata Ciliar já transplantou mais de 8 mil mudas nativas em 14 municípios onde a bacia hidrográfica está inserida.

Por William Wollinger Brenuvida, jornalista

PLANO DE BACIAS É PRIORIDADE PARA DESENVOLVER REGIÃO

Diretoria e equipe técnica do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica dos Rios Tijucas, Biguaçu e contíguas se reuniram, na tarde desta quinta-feira, 16.02, no Casarão Gallotti, para apreciação do relatório do Plano de Bacias que envolve 14 municípios. O relatório foi produzido pela consultoria da professora Noemia Bohn, e contempla o levantamento e análise dos entes normativos estaduais e federais referentes aos comitês de bacias. Outro aspecto do relatório é a análise do decreto de criação e regimento interno do comitê Tijucas-Biguaçu.

Participaram da reunião: o presidente e o secretário do Comitê da Bacia Hidrográfica dos Rios Tijucas e Biguaçu, e contíguas, Adalto Gomes e José Leal Silva Junior, bem como o Diretor de Recursos Hídricos Bruno Henrique Beifuss, e César Rodolfo Seibt da equipe de Apoio aos Comitês da SDS, além dos técnicos da Associação Caminho das Águas do Tijucas (ACAT), e membros da equipe executora do Plano de Bacias - Centro de estudos e pesquisas em engenharia e defesa civil (CEPED) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

O plano de bacias é um instrumento importante para o desenvolvimento socioambiental e socioeconômico de uma bacia hidrográfica. A partir do plano de bacias é possível estudar, planejar e garantir água em quantidade e qualidade na torneira da população. Com o plano de bacias, os municípios da região podem pensar quais atividades econômicas são mais importantes para o desenvolvimento regional.

A Equipe da CEPED apresentou a Etapa A do Plano que consiste em Plano de Trabalho e Cronograma de Execução. O Plano de Bacias tem previsão de elaboração para 18 meses de execução. Neste período várias atividades estão previstas para mobilização da comunidade na formulação do Plano de Bacia.

O Comitê Tijucas-Biguaçu deve reformular seu Grupo de Acompanhamento do Plano de Bacia para aprovação da Etapa A que já foi apresentada. Este grupo de acompanhamento fará a análise prévia de todos os relatórios que a equipe executora do Plano deve elaborar. Depois de aprovado por este Grupo, os relatórios devem seguir em sua maioria para aprovação em Assembleia Geral do Comitê.

Atualmente, as políticas urbanísticas passam, decisivamente, pelos comitês de bacias hidrográficas. Pensando nisso, o governo de Santa Catarina renovou a colaboração de esforços e investimentos aos comitês de bacias catarinenses.

Por William Wollinger Brenuvida, jornalista.
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